Livros recheados de ternura

Quinze anos se passaram, mas para a pedagoga mineira Mirtes de Souza, 60 anos, radicada em São Paulo, é como se fosse hoje. A presidente do Movimento de Mulheres do Jardim Comercial lembra bem das palavras de sua filha à época – “Mãe, se não achar uma forma de auto-sustentar o trabalho de vocês com foco mais empresarial, ele vai acabar”. O alerta, segundo ela, fez com que matutasse por horas e a então professora teve uma ideia: iria escrever pequenas histórias em livros de pano (antialérgicos), para ajudar na manutenção das despesas. Hoje são 56 obras matrizes artesanais que são reproduzidas a várias mãos e tecem pequenas histórias e contos com fundo moral para crianças e adultos.

Suassuna, um brasileiro travestido de esperança

“O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”. Frase inesquecível do dramaturgo, poeta e romancista paraibano Ariano Suassuna (1927-2014), que penetra em nossas reflexões, por causa de sua sutileza ao definir a sua maneira de interpretar a vida. Eu me lembrei dele hoje ao ver imagens de semblantes de crianças nos seus primeiros meses reluzindo o quê? Justamente essa esperança, que começa a ser construída a partir do momento que nascemos, quase como uma concepção poética.

Cantareira expõe a fragilidade do sistema de abastecimento

Como dizia o pensador Heráclito de Éfeso, as águas de um mesmo rio nunca são as mesmas águas. Metaforicamente essa constatação cai como luva, quando se trata do atual quadro do Sistema Cantareira, que abastece cerca de 12 milhões de pessoas na Grande São Paulo e em Campinas, e sofre com a estiagem por meses consecutivos. Parece um cenário triste dos quadros da seca nordestina. A situação é considerada a pior em 84 anos.